terça-feira, abril 28, 2009

Enquanto...

Enquanto ouço sua respiração e percebo os pelos arrepiarem, meus batimentos cardícos e cardiopatas entram novamente numa cadência. Tua letra completa a minha, ou será o contrário? Não importa. Tanto faz. Que diferença fará em sua existência saber desse mero detalhe? Que significância isso terá enquanto entra no banco e espera sua gerente sentado naquele sofazinho almofadado que nos molda em posição de pedido, de ajuda, de empréstimos de almas e cores que fantasiarão nossas ilusões? Qual a diferença entre o saber ou o escurecer da mente para algumas coisas que são vitais para minha vida e banais para a sua? Nada muda. Nada mudará. Nada nunca mudou.
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Crescemos, terminamos, recomeçamos, nos olhamos e desviamos olhares. Nos falamos, discordamos, resolvemos e assistimos cenas incríveis. Rimos, vivemos, tentamos, nos ligamos, pulsamos e quisemos. Brigamos e choramos. Sim você também chorou, eu sei, chorou como todo qualquer reles mortal, dono de tamanha imbecialidade que te coloca no topo dessa cadeia alimentar e social. Fixamos nossas convicções e verdades aos nossos amigos, publicamos em todos os meios democráticos que não pré-selecionam palavras com decoro e refinamento. Nos igualamos aos seres de escrita pequena, às descrições fulgazes de fins de semanas vazios. E não porque os nossos sejam cheios e profundos. Não são e você sabe, nada muito glorioso, somente mais algumas vidas tentando sentir o sol naquela tarde de domingo em um dia de ventos fortes e cortantes. Mas nos sentimos especiais, porque temos um dom. Cada um peculiarmente o seu. E confesso, o seu dom é inatingível para mim, mas o meu para você, é apenas uma escala evolutiva. Dons. Para que nos servirão esses castelos de areia, esses elefantes brancos, quando nada alterará nossos destinos? Os traços já estão aí, basta abrir as mãos e ver.
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Enquanto penso nisso tudo, vejo o resultado de nossa distância. Não só a nossa, também as muitas outras. Calculo o quão produtivo foi. Vejo a sabedoria dos anos aparecendo. Agora sinto melhor o gosto do café, e coca-cola não faz mais à minha cabeça. Presencio melhor o aroma dos perfumes, vejo de forma diferente até mesmo as repetidas paisagens. Amadureço sob supervisão, e enquanto isso, de forma leve e tranquila como uma grande árvore no outono, deixo ir embora as folhas - o que já é velho - e aguardo os novos frutos aparecerem, e eles aparecerão, tenha certeza.
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Enquanto você dorme e suspira inadvertidamente em seu cobertor empoeirado, nesse quarto adolescente e infinitamente sem vida, vejo seus erros crassos que ainda não se habituaram às novas normas ortográficas de nossa laboriosa língua tupiniquim, e mesmo com todas as pequenas rachaduras textuais, algumas pérolas são cuidadosamente dilapidadas entre suas desconexas frases. E enquanto isso acontece, recobro minha imensa sede em produzir escritas, mesmo que seja desse jeito áspero e ainda insosso (a fisioterapia literária deverá ser intensa), e venho aqui para te agradecer:
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Obrigada!

sexta-feira, março 07, 2008

Fácil, assim!

Brincando de descomplicar
Complico tudo

Séria ao arrumar
Atrapalho tudo

Pensando em organizar
Bagunço tudo

Vivendo pra amar
Odeio tudo

Comprando pra não faltar
Fico sem tudo

Vendendo pra imaginar
Esqueço tudo


E tudo que eu queria, era a simplicidade.

quarta-feira, março 05, 2008

Poço

As vezes, é necessário chegar ao fundo do poço para as coisas começarem a sair como queremos...


ao fundo, ja cheguei, e parece... que as coisas começarão a ter um rumo.


to bem hoje, por tudo: pela faculdade (apesar do professor intransigente), pela nova casa, pelo Reza e pelo possível projeto de trampo. Feliz mesmo. Algo que to acreditando.

sem muitas palavras, são quase 3 horas da manhã.

terça-feira, março 04, 2008

Independência ou...

Morte? Vida? Família? Amigos? Trabalho? Valores? Amores?

Quanto custa sua independência? Quanto custa seu aluguel, sua comida, roupa lavadinha e passadinha, casa limpa? Quanto custa seu trabalho? E o valor do seu respeito? As pessoas te respeitam?

Tudo é muito amplo nessas questões


Pra ter minha independência, que costumo classificar como indepedancia, dependo de um emprego. E ontem um caro amigo me disse algo muito simples, que ele descobriu, e me fez descobrir: quando se vende um produto, dá-se um preço, quando se vende um serviço, dá-se uma tarifa


Independência tem um preço, e meu trabalho é tarifado... qual a lógica matemática e social que devo usar na matemática, que unirá esses dois itens tão importantes em minha vida?

Independência vai além de morar sozinha, ou morar com amigas e dividir as despesas. Independência é algo que nos pega desprevinidos, que fala: vai nêga, te vira! e aí? o que você faz nesses momentos, te atesta realmente se você é independente ou não.

Amo meus pais acima de tudo, um amor tão incondicional, que em meus piores momentos desse ano, os fizeram meus maiores anjos protetores. De forma impressionante, sem dizer "eu te amo" (como muitos ja disseram a mim e vejo em todos os lugares comumente), valeram as honras de serem meus maiores heróis. Rá, to cafona mesmo, rs. Sensível demais.

Estou cá, agora morando com Alê, Pri e Anne, meus pai me apoiaram, porque viram meu momento, e meus problemas, e entenderam que esta foi a minha maneira de tentar solucionar os problemas... e vou solucionar, se tudo der certo... As meninas? São umas fofas, lindas. Ahhh, faltou falar do Ed, ou melhor dizendo o Sr. Edmundo o cachorro lindo da casa.

Se vai dar certo? Está dando por enquanto, em nossas bagunças, tropeçadas e risadas, vamos levando... vamos vivendo, vamos aprendendo a jogar... e principalmente, vamos buscar a nossa contemplação.

Post meio desabafo, questionativo, informativo, e perspectivo... é assim mesmo que me sinto.

Agora me dá licença, mas tenho coisas pra arrumar...

O MI TO FO

quarta-feira, dezembro 19, 2007

sono

sono
sono
sono
sono
sono
sono
sono
sono

terça-feira, dezembro 11, 2007

Parte

Esse ano foi pra cortar os laços, romper os cordões umbelicais, respirar sem aparelhos.

Xiiiii, começaram os textos de retrospectiva 2007. Ahahahahahahaha

É mais ou menos isso mesmo, to precisada de falar disso, então, lá vai:

- início do ano muito bom... praia, família, descanso merecido
- vovó fica doente... vai embora. Muita tristeza
- envio mensagem pra alguém nesse meio tempo - primeira desilusão do ano...
- um amigo se aproxima - uma pessoa iluminada pra dividir projeções de cinema comigo
- retorno às aulas. Um homem de barba me consola, me faz bem
- finjo não ver uma amizade de anos desmoronar, começo a me questionar se realmente todos esses anos foram tão amigáveis...
- visita à casa de um amigo que me dá chaves importantes para o retorno ao mundo...
- duas baladas legais... conheço alguém especial
- Reza-Vela cada vez mais faz parte da minha vida
- amizade antiga cada dia mais distante... culpa minha, certamente, quem sou eu pra 'culpar' alguém tão brilhante? sinto-me intolerante, mas isso não faz com que me sinta menos dolorida, menos agredida... e principalmente intolerável
- trabalhos da faculdade tornam-se um fardo, mas um fardo muito bom de carregar - resultados finais são fantásticos
- o novo amigo se torna grande amigo, atencioso, gentil, carinhoso... minha carência de amizade torna-o muito importante... mais um erro meu?
- aniversário chegando...
- amizade antiga extremamente abalada, com direito a choro e olhos inchados em final de semana. promessas de melhoras. em vão...
- festa no reza - minha melhor festa de aniversário.
- visita em locais luxuriosos
- Betinho indo embora...
- novo amigo se torna mais que um amigo...
- novo amigo se torna mais que um amigo mais uma vez
- novo amigo deixa de ser mais que um amigo, e também novo amigo...
- festa surpresa... desilusão total com amizade antiga. preferia uma surra.
- melhor festa junina do mundo no Reza
- melhores festas com muita gente conhecida no Reza
- Reza, Reza, Reza, rs
- Templo Zu Lai, um novo caminho - o caminho do meio
- deixando pra trás tudo de ruim que existe por perto, inclusive pessoas, retratos, músicas e lembranças doloridas... devolvendo tudo aos seus devidos donos e lugares - limpeza das brabas
- vegetarianismo
- descoberta de novos paladares, lugares e estilos de vida
- novos trabalhos stressantes da faculdade
- namoro
- namoro estranho, rs
- menos tempo no Reza, mas sempre muito intenso
- novas pessoas chegando
- abandonando as baladas... mas fazendo programas diurnos de imensa qualidade
- morte de tio muito querido
- o acordar de um amor/pessoa que nunca existiu, só em minha cabeça
- o desejo forte e infinito de alguém longe, e graças a todas as forças do universo, isso se tornando realidade
- banca do interdisciplinar, não foi nosso melhor trabalho, mas deu trabalho e rendeu um nove, rs
- aniversário triste de um grande amigo... tristeza compartilhada
- dentista-anja em minha vida
- esperando natal... sem minha avó, pela primeira vez...

quinta-feira, novembro 08, 2007

Ele sabe pra onde vai

Chegou perto. Disse bom dia... era muito cedo, pediu o número do meu telefone. Leu meus pensamentos. Perguntou se poderia ligar naquela tarde mesmo. Sim (por favor, ligue agora mesmo). Bom, ele já estava ali, poderia adiantar o assunto. Queria ir ao cinema, mas seria necessário combinar melhor depois, prova no segundo período. Mas será que eu quereria sair com ele, indaguei. Sim, quer, ele afirma em to decidido e sorriso despretensioso.
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Ligou no mesmo dia, de sua casa. Vinte minutos em celular... A ligação ficará cara. Não importa, você ficará muito tempo perto de mim para compenssar esse gasto. Adorei ouvir sua voz leve, solta e de bem com a vida. Voz de quem sabe a que veio pra esse mundo, voz de quem nada deve, nada teme, porque entende o seu e o meu mundo budista.
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Disse que iríamos ao cinema no sábado à tarde, pois o não é muito cheio, e queríamos um programa agradável (queríamos? ele sabe que sim). Entre frases doces e engraçadas ele diz uma que ecoa em mim até agora (...). Estremeço dos pés à cabeça. Algo novo entra em minha vida.
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Sábado. Encontro no metrô. Estacionou seu carro perto do cinema, e foi esperar-me. Decidido, disse que ficou envergonhado de não ter ido até minha casa buscar-me. Desfaria isso levando-me embora e apresentando-me uma das vistas mais bonitas de São Paulo. Cinema, ele escolhe o filme, escolhe os lugares, as bebidas e o tamanho da pipoca. Escolhe porque suas falas adivinham meus pensamentos, traduzem minhas vontades. Somente consigo sorrir, não há possibilidades de diálogos, ele toma todo meu fôlego, meu ar, minhas falas.
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Cinema. Ele deixa-me passar, espera que eu sente. Segura pipoca e bebidas. Ajeita tudo. Luzes ainda acesas. Pára por 5 longos segundos, respira fundo e retorna a dizer o que tanto estremeceu-me ao telefone, segura minha mão, beija meu rosto. Sinto um leve tremor em seus lábios. Nada consigo falar. As luzes se apagam, ele toca meus lábios com as mãos, que se unem a minhaa mãos.
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Filme. Não me lembro nada... qualquer fala, plano sequência, cor ou mesmo ator... foi o melhor filme que já assisti em minha vida. Nada fizemos dentro do cinema, ele apenas encostou-me em seu peito, fez carinho em meus cabelos e ficamos assim, estáticos, como se o mundo estivesse pronto a assistir nossa lenta vida se unindo.
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Saímos do cinema, ele decididamente resolve me levar até sua casa. Apresenta-me músicas orgânicas, uma de suas paixões. Ele precisava também acrescentar coisas a mim, não poderia simplesmente gostar do meu tudo, precisava me completar. E ele o fez, com tanta segurança, certeza e vontade, que só posso dizer aqui que encontrei alguém para a eternidade. E ela (a eternidade) existe.

segunda-feira, agosto 06, 2007

::: Vivendo :::

Os últimos dias foram muito reveladores. Transformador também é uma palavra que encaixa muito nessa nova situação.

Nova sitação, e antiga ao mesmo tempo, porque a mudança brutal e visível ao olho nú ainda não aconteceu. Porém, a pressa agora não existe mais.

Ando um tanto quanto desligada, desplugada de muitas coisas e pessoas. Não é maldade, é prezar o que tenho de melhor. Hoje, mais que nunca tenho a certeza que nada acontece por acaso, desde a proposta a uma visita a um cine pornô, ou ainda o encontro inesperado com alguém lucidamente brilhante em uma sala de bate-papo. Tudo é evolução, tudo é crescimento, e talvez por isso, mesmo em situações por instantes triste, dá ainda pra levantar os olhos pro céu e agradecer a linda visão que o mundo nos proporciona.

É inegável que nossos lugares não é nessa cidade. Falo isso por mim e alguns tão bons tribais como eu, que cruzei pela vida graças à uma bolsa de estudos que direcionou muitas coisas. Destino? Não! Não fosse esse fato hoje talvez, estaria eu com as mesmas pessoas, do mesmo modo, buscando as mesmas coisas... porque os que deixei para trás (ou talvez eu tenha ficado pra trás, porque retroceder nem sempre é ruim) continuam na mesma sintonia de antes.
Não julgo mais os estilos de vida que as pessoas buscam, cada um sabe o que é melhor para si. Eu mesma to buscando meu melhor, e sei bem onde estou pisando, sei bem meu valor agora, e isso isenta-me daquela sensação horrível em precisar mendigar sentimento... porque não existe coisa pior no mundo que sentir-se inferior.

Ir pro Zu Lai mostrou-me claramente muitas coisas. Conheci pessoas de tanta valia... vivi coisas tão intensas, internas e indescritíveis, que nunca mais conseguirei ser a Gi de antes. Parar de comer carne, as 4 nobres verdades, os preceitos, meus grandes e valiosos amigos, um novo estilo de vida, novos projetos e sonhos, novas pessoas importantes, a descoberta do amor desconhecido, a imensa vontade em viver, crescer e despertar... são mudanças muito internas para perceber ou descrever, são atos.

Se considero-me uma pessoa de fé? Sim, fé em mim mesma!

E espero que isso perdure por toda minha vida.

quinta-feira, julho 26, 2007

Acho que essa quinta-feira também decidirá coisas para o meu segundo semestre desse ano. Quereria pensar em coisas boas para mim, mas meu intuito não deixa... as evidências são claras. Mas nem por isso fico triste, só quero mesmo meditar, estudar, e iluminar algumas coisas.
Li algumas coisas que deveriam apertar meu coração, mas isso não aconteceu. A mudança vem de dentro. Impressionante.




E esse novo sentimento
Será capricho que faz parte?
Ou obra de arte?

::: Um Mar :::

Relembrando minha visita ao prédio do Banespa...
Subo com a Priscila, aquela escadas em caracol, depois de renovarmos nossa querida bolsa de estudos da faculdade. Olho para ela vislumbrada. Sempre parece a primeira vez.

- A cidade é um mar...

Sim, essa sensação que tive das ondas sonoras flutuando, os carros e pessoas como grãos de areia que se movimento conforme a dança do ar... grãos de areia parecem ter vida própria. O concreto da cidade de tão duro e quando se mistura com o sol parece água... água é dura e forte, acredite.

E o meu mar, em maré baixa, calma, com o sal entrando pelos poros. E o mar, vigiando meus olhos, recobrando minha consciência e revelando minha alma. O mar, que sabe tudo, que entende tudo, que tem vontades próprias e indiscutíveis. Ninguém discute com o mar, ele não nos ouve, ou só ouve quando quer.

E lá de cima, do prédio do Banespa, tive a mesma sensação... de que ninguém discute com a cidade, apena a observa, e ora pela sua compaixão.

terça-feira, julho 24, 2007

ReComeçar

Acho no mínimo intrigante essa minha nova situação. Porque sempre escrevi inspirada em uma tristeza... meu âmago ferido, meu it, meu eu, meu ego pra lá de cinza. Aí, de repente eu fico bem, e to com medo de produzir textos dignos de slides que se tornam correntes irritantes e chatas. Já pensou eu viro escritora de livro de auto-ajuda? ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Eu estou imensamente feliz por estar feliz, mas eu quero minha inspiração de volta.


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bom, acho que terei que começar novamente do zero. se é que algum dia eu saí dele, rs.

sábado, julho 21, 2007

::: Tempos :::

A gente passa a vida inteira - ou grande parte dela - procurando uma tal de dona Felicidade. Aí um dia percebe que ela não mora do lado externo de nós, mas sim internamente, exatamente como a tristeza e qualquer outro sentimento.
Ok, isso eu entendi, mas ainda não entendi a dinâmica do sentir.
Veja meu caso como exemplo: passei boa parte da minha vida venerando um cara chamado Platão, que falou de um tal amor platônico... desde a mais remota lembrança, desde a primeira vez que ouvi falar desse cara, encantei-me com sua teoria. E o que dizia o ser humano brilhante que fez-me viver coisas sem nexo durante tantos anos?
A expressão de amor platônico hoje é bem diferente da concepção do camarada Platão. Hoje o amor platônico fala de um amor ideal, inatingível, impossível de ser realizado. Porém o amor do meu caro amigo representa a falta. Como assim??? Deve você estar se perguntando... calma lá, eu explico, ou tento, se é que eu entendo isso: o tal homem acreditava que o homem se dividia em duas partes - o corpo e a alma. O corpo está em eterna mutação, a alma não, a alma não muda nunca, mas não sabemos disso (até ele contar pra gente, rs).
Platão acreditava que a alma ficava presa ao corpo, e que renascia, porém, ao acontecer isso, a alma se esquecia completamente das vidas passadas. A prisão da alma era o corpo... mesmo nessa prisão, o homem vive em dois tipos de realidade - a inteligível e a sensível. A inteligível, assim como a alma, é imutável, concreto, permanente, já a realidade sensível, é tudo aquilo que aflora nossos sentidos, portanto está em constante mudança. Para o amigo Platão, o mundo concreto era percebido pelo mundo sensível, formando assim a apagada reprodução do mundo das Idéias.
Ora, se o amor em Platão é falta, o amante procura no amado, a Idéia - verdade essencial - que não possui. Sendo assim o amor de Platão poderia ser considerado um complemento inexistente ainda em sua alma, fazendo dela assim uma alma completa... são divagações minhas, não sou filósofa, longe de mim, mas faz sentido em questões amorosas buscar complementar-se com a sua cara-metade (o nome mesmo diz).
Portanto, o amor Platônico não é o amor covarde que muitas pessoas pensam, nem mesmo o amor sem o contato físico, mas sim, o amor pleno que "completa" a segunda parte do homem, que é imutável.
Pois bem, passei grande parte da minha vida fundada nos pilares platônicos, e veja o golpe do destino... descobri que em minha alma nada falta, que tudo está honrosamente completo aqui, como já disse uma vez outro grande amigo, Constantin Stanislavski, que disse aos seus atores que todos os sentimentos e pessoas habitavam um ator. Não, não levo menor jeito para interpretações, mas concordo com o amigo em um âmbito mais, digamos universal, todos os sentimentos (sejam eles bons ou ruins) moram dentro de todos os seres humanos, e cabe a nós selecionarmos e colocarmos para trabalhar nas engrenagens de nossas almas... por isso a alma é imutável, porque ela já tem tudo... divaguei demais? rs
Enfim, descobri, ou melhor teorizei que, se possuo tudo, não há necessidade de complementos com outra alma. Basta saber procurar aqui dentro algo que me fará feliz, portanto, o amor que busco não necessita necessariamente ter coisas que julgo não possuir, mas necessita fazer-me bem, fazer-me sorrir, instigar-me a continuar. O amor é troca, é um apoio que nos ajuda a continuar o caminho longo pela nossa estrada por vezes triste, não precisa ser eterno, nem mesmo perfeito, só precisa fazer-nos bem, e durar o tempo necessário para ajudar duas (ou mais...) pessoas crescerem e serem felizes. O amor é um estímulo divino para nos fazer chegar à linha final como vencedores de uma competição onde todos podem ficar em primeiro lugar.
Agora convenhamos caro leitor... depois de tantos anos, depois de tantas cabeçadas na parede, alguém me explica porque amei tanta gente que em nada fez com que eu tivesse vontade de caminhar cada vez mais? Acho que perdi grandes oportunidades de amor, acho não, tenho certeza, e a última oportunidade talvez tenha a sido a mais cretina da minha parte. Amar alguém que tem o desdém por mim foi a coisa mais imbecil que já fiz... perdi a grande oportunidade de lutar por um homem que sempre motivou minhas caminhadas. Enfim, águas passadas não movem moinhos, como dizia alguém da minha família.
Agora é saber escolher bem quem amar.
Amor é troca, agora eu aprendi.

terça-feira, maio 01, 2007

Moda Vernácula

fica assim decidido
menos é mais
lágrima é felicidade
sorriso é esconderijo
e asfalto é céu

fica assim combinado
ouro é adjetivo
prata é colírio
cobre é fio
e bronze é praia

fica assim o dito pelo não dito
o telefone tem fio
a secretária taquigrafa
o controle ainda é pessoal
e o espaço inalcançavel

faz o seguinte
segue o teu rastro
deixa teu rumo
fica na dele
e cola na sua

faz tudo assim
contrário
antigo
invertido
equivocado
porque remar contra a maré agora é moda

sábado, abril 21, 2007

Porque chegou a esse ponto?

Acho engraçado muita coisa, a primeira é usar este espaço novamente como um diário... inevitável às vezes.
Quando "abri" esse blog eu já cursava Rádio e TV na Anhembi, tinha meus 4 amigos inseparáveis e queria apenas publicar idéias, textos, coisas que sempre curti escrever. Nunca imaginei que outras pessoas da sala leriam meus escritos. Situação estranha pessoas que não conhecia direito lendo textos meus... enfim. O tempo foi passando, e derepende palavras se tornaram armas, com as mesmas pessoas que mal conheço e mal me conhecem também...
Nunca fui um doce de pessoa, quem me conhece sabe bem. Sou ácida, ríspida, péssimo humor, irritada, nervosa, sistemática, perfeccionista, minimalista, metida a intelectualóide, ao mesmo tempo, com baixa auto-estima, depreciativa, inconstante, medrosa, pueril, burrinha, extremamente convicta de algumas coisas, brava, etc, etc, etc. As boas qualidades? Deixo pra postar outro dia, porque hoje não vem ao caso...
O que vem ao caso é: não, nunca disse que eu era uma pessoa fácil de lidar, e não, nunca pedi amizade de ninguém, até evito certas aproximações...
Quando entrei a primeira vez em minha sala da Anhembi, jurei que iria sair para o intervalo e que nunca mais pisaria naquela sala. Aquele mundo realmente não me pertencia, não me enquadraria ali nunca... e como Tomate diz, fiz toda situação em minha cabeça, e por incrível que pareça, assim foi... mas se não fosse a mesma Tomata, não teria voltado do intervalo... talvez tivesse sido melhor mesmo, não para mim, mas para o "restante" da sala... rs
Ok, insisti. Não se joga uma bolsa mensal de 800 dinheiros assim pela janela. Fiquei naquela sala extremamente decidida a não me envolver com muitas pessoas, evitar discussões, brigas e afins... Queria realmente evitar muitas fadigas, passar quatro anos em meu canto, me bastavam os 4 amigos que havia feito, meu mundo fora daquela sala estava a contento, era feliz fora dali, nunca fui pessoa de grandes ambições.
Porém, nem tudo sai como planejamos. Olhares se cruzam, surgem pessoas fantásticas, outras nem tanto... idéias fantástiscas, outras nem tanto, opiniões fantásticas, outras nem tanto... porém, estava decidida a optar sempre pela paz... mas não foi assim...
Surgiu o blog, um fotolog... fotos, palavras, MSN, pessoas, envolvimentos meio tortos... surgiu um sentimento inesperado por outra pessoa que não era o "meu narigudo do outro lado do oceano", e logicamente que esse sentimento não surgiu assim do nada, ele foi crescendo com todas essas novidades sem chão firme.
Outras pessoas entraram, naquela sala, e fizeram toda a diferença. Acredito que o intuito de cada pessoa é ser feliz, e assim agem, para suprir suas necessidades... faço o mesmo, como todos, sou apenas mais uma. E assim surgiu um sentimento sem freio, uma amizade sem sentido, uma discussão sem pé nem cabeça, e uma briga homérica sem precedente, sem necessidade e sem importância... porém, a importância dada foi maior que a merecida, e gerou um ódio palestino que hoje nem tem mais um porque, mas acredito que não sumirá tão cedo... a necessidade de saber as vidas alheias foi tão maior que as causas não justificaram os meios... e os precedentes, apesar de ridículos são tão sem nexo, se analizados com calma e frieza, que faz qualquer um sentir-se ridículo... porque precisava ser assim? porque?
Não adianta tentar responder certas coisas, os porquês sempre ficarão suspensos. Tem gente hoje que me odeia, e nada posso fazer pra mudar isso. Não construo minhas relações em questões de horas, tenho minhas bases sólidas como rochas (e não digo que isso seja bom, ao contrário), quem gosta de mim conhece bem cada defeitinho meu que descrevi nesse texto, mas também conhece cada qualidade (até mesmo as que eu desconheço), e fica ao meu lado mesmo assim.
Hoje vejo certas situações, que talvez, nos primeiros dias daquela sala, tentaria apaziguar e resolver, hoje estou cansada e sei que só gastaria energia em vão, nada vai mudar, porque não há boa vontade de ambas as partes, e muito mais envolvidos que os "de fato", sempre tem torcida... rs. Poderia declarar uma tal "paz", tentar resolver com uma boa conversa, mas vejo que isso é improvável...
Creio que fui um pouco ingênua em trazer "meu mundo" para dentro da universidade. Amigos, lugares que gosto, músicas, poesias, situações, sentimentos... como diz um dos envolvidos: "você vai pra faculdade pra estudar ou o que?"... ok, ok, tudo bem que a celebre frase sai do "mais paradoxal dos seres", um dos maiores pilares de todos esses desencontros... mas separando do contexto da pessoa, é uma ótima frase.
Durante muito tempo algumas acusações me irritaram profundamente, mas percebi que anônimos suprem egos, até mesmo quando ofende algumas pessoas. Acho que todo mundo tem um pouco de anônimo, mesmo que impronunciavelmente, pois muitas vezes surge a vontade de dizer suas verdades que não tem coragem... então quando surge algo do tipo, ficam três situações:
-do ofendido que pode pensar: "alguém tem recalque ou inveja de mim então, "to abafando" - ou a pessoa pode sentir-se injustiçada, ofendida, etc... mas a primeira opção, creio ser a mais utilizada;
-o lado de quem não disse, mas poderia ter dito por n "motivos groselhais", e acaba levando a fama, e fica puto da vida por isso;
- e o lado do próprio anônimo, que se diverte vendo o mundo se degladiando por conta de um comentariozinho sem sentido... em pensar que nunca imaginou que seria capaz de causar tanto "fervor"...
Enfim, são três carências estranhas que a INTERNET proporciona ao "admirável mundo novo".
O pior mesmo são as indiretas, essas doem na boca do estômago, porque sim, nos achamos seres inteligentes, achamos que podemos ofender com palavras e que sabemos usar isso como armas... armas em mãos de crianças (e me incluo nisso), abusamos de sujeitos ocultos e indeterminados, usamos frases de efeito, adoramos "causar", nos fazer de centro (aliás, ser o centro é sempre o foco)... ferir... estamos mais para bichos feridos e nem percebemos... divãs não dariam conta se percebessemos os caminhos errados que percorremos...
Só quero meu diploma, e isso já me fará muito feliz! Farei minha parte, quero ficar quieta, não quero mais ofender ninguém, até porque não conseguirei pagar nenhuma dívida com isso, e nem gravar um filme. As raivas? Já passaram... sem maiores explicações. O amor? ababou, juntamente com a festa do José... As pessoas fantásticas? Ficaram... E as nem tanto? Não sei o que aconteceu com elas... Estou em meu centro novamente, e me livro de qualquer sentimento de raiva ou tristeza. Só quero passar por invisível em um lugar que hoje, mais do que nunca, tenho a plena certeza que não me pertence.
Felicidade a todos
Namastê!

sexta-feira, junho 23, 2006

Janela da alma

eu posso escrever um livro
posso brincar de ser glauber rocha
ainda, se quiser
posso fingir amar quem quiser
posso também, viajar de ônibus
por todo país
e dar comida aos pobres
ou ser o pobre
e receber comidas

se quiser
eu posso fazer uma camiseta
posso pintar um quadro
e aceitar elogios
posso beber doses e doses de tequila
tomar glicose na veia
posso pintar meu cabelo de vermelho
e colocar um piercing
posso passar de semestre com notas louváveis
dormir mais de 12 horas
organizar uma festa e um congresso estudantil

posso dominar a ansiedade diante do chefe
lutar por igualdade
fazer provas demoradas
e ficar dois dias sem beber uma gota de água
posso comandar uma obra de um prédio de doze andares
conversar de igual pra igual com pedreiros
e sair de salto alto no final de semana
eu posso superar um assalto
e um plantão de doze horas
em um pronto socorro

posso dar aulas de cidadania
medir a força das minha palavras
e sorrir com uma dose de aguardente na mão
posso discutir música
ou garatujas alheias
eu posso ficar alheia ao tempo
posso ser intensa ou fria, conforme a situação pedir
se quiser posso ler mil livros
perder a noção do mundo exterior
meditar por mais de duas horas
viajar pelo mundo com minha mente
beijar e engolir você,
e fingir não me importar...
mas meus olhos nunca vão mentir meus amores...droga!



texto antiquíssimo.