quinta-feira, novembro 08, 2007

Ele sabe pra onde vai

Chegou perto. Disse bom dia... era muito cedo, pediu o número do meu telefone. Leu meus pensamentos. Perguntou se poderia ligar naquela tarde mesmo. Sim (por favor, ligue agora mesmo). Bom, ele já estava ali, poderia adiantar o assunto. Queria ir ao cinema, mas seria necessário combinar melhor depois, prova no segundo período. Mas será que eu quereria sair com ele, indaguei. Sim, quer, ele afirma em to decidido e sorriso despretensioso.
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Ligou no mesmo dia, de sua casa. Vinte minutos em celular... A ligação ficará cara. Não importa, você ficará muito tempo perto de mim para compenssar esse gasto. Adorei ouvir sua voz leve, solta e de bem com a vida. Voz de quem sabe a que veio pra esse mundo, voz de quem nada deve, nada teme, porque entende o seu e o meu mundo budista.
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Disse que iríamos ao cinema no sábado à tarde, pois o não é muito cheio, e queríamos um programa agradável (queríamos? ele sabe que sim). Entre frases doces e engraçadas ele diz uma que ecoa em mim até agora (...). Estremeço dos pés à cabeça. Algo novo entra em minha vida.
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Sábado. Encontro no metrô. Estacionou seu carro perto do cinema, e foi esperar-me. Decidido, disse que ficou envergonhado de não ter ido até minha casa buscar-me. Desfaria isso levando-me embora e apresentando-me uma das vistas mais bonitas de São Paulo. Cinema, ele escolhe o filme, escolhe os lugares, as bebidas e o tamanho da pipoca. Escolhe porque suas falas adivinham meus pensamentos, traduzem minhas vontades. Somente consigo sorrir, não há possibilidades de diálogos, ele toma todo meu fôlego, meu ar, minhas falas.
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Cinema. Ele deixa-me passar, espera que eu sente. Segura pipoca e bebidas. Ajeita tudo. Luzes ainda acesas. Pára por 5 longos segundos, respira fundo e retorna a dizer o que tanto estremeceu-me ao telefone, segura minha mão, beija meu rosto. Sinto um leve tremor em seus lábios. Nada consigo falar. As luzes se apagam, ele toca meus lábios com as mãos, que se unem a minhaa mãos.
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Filme. Não me lembro nada... qualquer fala, plano sequência, cor ou mesmo ator... foi o melhor filme que já assisti em minha vida. Nada fizemos dentro do cinema, ele apenas encostou-me em seu peito, fez carinho em meus cabelos e ficamos assim, estáticos, como se o mundo estivesse pronto a assistir nossa lenta vida se unindo.
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Saímos do cinema, ele decididamente resolve me levar até sua casa. Apresenta-me músicas orgânicas, uma de suas paixões. Ele precisava também acrescentar coisas a mim, não poderia simplesmente gostar do meu tudo, precisava me completar. E ele o fez, com tanta segurança, certeza e vontade, que só posso dizer aqui que encontrei alguém para a eternidade. E ela (a eternidade) existe.

2 comentários:

romahribeiro disse...

Existe. Principalmente quando se tem amor.

Saudade!

Beijos!

::: Crônicas Impublicáveis ::: disse...

Helena...

penso que me conhece... mas juro, não a reconheço... helena, helena... helena de tróia? professora helena da novela carrossel? minha querida tia helena... que não sabe sequer ligar um computador...

pensei em alguém de cabelos louros, curtos... um mulher decidida, jornalista... mas nao tenho certeza nem razão...

fiquei curiosa para saber quem é, verdadeiramente...