terça-feira, abril 28, 2009

Enquanto...

Enquanto ouço sua respiração e percebo os pelos arrepiarem, meus batimentos cardícos e cardiopatas entram novamente numa cadência. Tua letra completa a minha, ou será o contrário? Não importa. Tanto faz. Que diferença fará em sua existência saber desse mero detalhe? Que significância isso terá enquanto entra no banco e espera sua gerente sentado naquele sofazinho almofadado que nos molda em posição de pedido, de ajuda, de empréstimos de almas e cores que fantasiarão nossas ilusões? Qual a diferença entre o saber ou o escurecer da mente para algumas coisas que são vitais para minha vida e banais para a sua? Nada muda. Nada mudará. Nada nunca mudou.
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Crescemos, terminamos, recomeçamos, nos olhamos e desviamos olhares. Nos falamos, discordamos, resolvemos e assistimos cenas incríveis. Rimos, vivemos, tentamos, nos ligamos, pulsamos e quisemos. Brigamos e choramos. Sim você também chorou, eu sei, chorou como todo qualquer reles mortal, dono de tamanha imbecialidade que te coloca no topo dessa cadeia alimentar e social. Fixamos nossas convicções e verdades aos nossos amigos, publicamos em todos os meios democráticos que não pré-selecionam palavras com decoro e refinamento. Nos igualamos aos seres de escrita pequena, às descrições fulgazes de fins de semanas vazios. E não porque os nossos sejam cheios e profundos. Não são e você sabe, nada muito glorioso, somente mais algumas vidas tentando sentir o sol naquela tarde de domingo em um dia de ventos fortes e cortantes. Mas nos sentimos especiais, porque temos um dom. Cada um peculiarmente o seu. E confesso, o seu dom é inatingível para mim, mas o meu para você, é apenas uma escala evolutiva. Dons. Para que nos servirão esses castelos de areia, esses elefantes brancos, quando nada alterará nossos destinos? Os traços já estão aí, basta abrir as mãos e ver.
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Enquanto penso nisso tudo, vejo o resultado de nossa distância. Não só a nossa, também as muitas outras. Calculo o quão produtivo foi. Vejo a sabedoria dos anos aparecendo. Agora sinto melhor o gosto do café, e coca-cola não faz mais à minha cabeça. Presencio melhor o aroma dos perfumes, vejo de forma diferente até mesmo as repetidas paisagens. Amadureço sob supervisão, e enquanto isso, de forma leve e tranquila como uma grande árvore no outono, deixo ir embora as folhas - o que já é velho - e aguardo os novos frutos aparecerem, e eles aparecerão, tenha certeza.
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Enquanto você dorme e suspira inadvertidamente em seu cobertor empoeirado, nesse quarto adolescente e infinitamente sem vida, vejo seus erros crassos que ainda não se habituaram às novas normas ortográficas de nossa laboriosa língua tupiniquim, e mesmo com todas as pequenas rachaduras textuais, algumas pérolas são cuidadosamente dilapidadas entre suas desconexas frases. E enquanto isso acontece, recobro minha imensa sede em produzir escritas, mesmo que seja desse jeito áspero e ainda insosso (a fisioterapia literária deverá ser intensa), e venho aqui para te agradecer:
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Obrigada!

3 comentários:

BRUNA disse...

Gi, vc tem que escrever e publicar mais, vc escreve muito bem...

adorei nosso encontro, temos que marcar mais vezes!!!

bjo!!!

Marcelo Mayer disse...

voltei!

Inês disse...

Adorei sua escrita - uma crônica de libertação!
Muito prazer, vi seu blog na lista do Marcelo...
Um abraço de uma nova leitora que te espera...

Inês.